Mundo

VER OU NÃO VER

Em 2015, Vasco Pulido Valente já avisava do que se aproximava. Os sinais estavam todos lá e, tal como agora, só não via quem não queria. O pior é que parece que ninguém aprendeu nada e a maioria continua a não querer ver.
”VER OU NÃO VER”
Os movimentos preliminares da III Guerra Mundial estão em curso: para o Ocidente ver – ou não ver.
Com as nossas preocupações domésticas, não nos sobra o tempo para pensar em coisas muito mais séries como o expansionismo da Rússia.
Vem na Wikipédia, mas convém repetir, que a Rússia é uma federação de 22 repúblicas, 46 regiões autónomas (como a da Madeira) e nove territórios.
Pior ainda, tem 160 etnias diferentes, 100 línguas diferentes, quatro grandes religiões diferentes (a ortodoxa, a islamita, a judaica e a budista) e uma enorme variedade de seitas, que constantemente varia e se multiplica.
Tudo isto para uma população relativamente pequena de 140 milhões de habitantes. Qualquer pessoa de senso compreenderá que, segundo um velho hábito do século XVIII, chamamos Rússia a um Império que só pode ser governado autocraticamente e onde a democracia está para sempre condenada.
O autocrata de hoje já não é o czar Nicolau II, nem Lenine, nem Estaline, nem Khruschev, nem Brejnev.
É um antigo membro da polícia secreta e, por consequência, um dissimulador, um mentiroso, um torcionário e um assassino, que dá pelo nome de Putin e que preside a uma cleptocracia, largamente caótica, a que só a violência e o seu arbítrio garantem uma vaga coesão e uma aparência de Estado.
Além disso, na falta de uma legitimidade dinástica como a dos Romanov, ou ideológica como a URSS, Putin precisa, para se ir aguentando, de invocar a legitimidade imperial, principalmente depois da maior derrota que o Império sofreu desde 1613. O que não seria importante, se depois da implosão do comunismo, a Rússia não permanecesse a segunda potência militar do mundo.
E se a Europa não se tivesse desarmado, como desarmou, para pagar o Estado social.
A Inglaterra, por exemplo, gasta em defesa menos do que 2 por cento do PIB, no momento em que Putin (de resto, provocado pela França e pela Alemanha) embarcou numa política claramente agressiva e revanchista.
A Crimeia foi o primeiro objectivo, como já o fora para Catarina, porque o Império fica fechado ao exterior sem um porto de água quente; e o segundo foi parte da bacia do Donetsk, porque a Crimeia não serve de nada sem uma ligação fácil e segura ao coração do Império.
Estaline e Hitler perceberam este ponto essencial. Putin também; e não há a sombra de uma dúvida de que não recuará.
Como, tarde ou cedo, vai acabar por querer que as repúblicas bálticas voltem ao seu domínio e que a Ásia Central aceite obedientemente a sua ordem.
Os movimentos preliminares da III Guerra Mundial estão em curso: para o Ocidente ver – ou não ver.

Caobe

About Author

Todo escritor é, antes de mais nada, um leitor ávido. A leitura alimenta a escrita, oferecendo inspiração, vocabulário e compreensão das técnicas narrativas.

Também pode gostar de...

Sensacional essa coisa!
Mundo

Sensacional essa coisa!

  • 22 de Agosto, 2025
Sensacional essa coisa!   A palavra “coisa” é o bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo
Os novos USA
Mundo

Os novos USA

  • 2 de Fevereiro, 2025
Os novos USA Então vocês votaram para construir um muro… pois bem, meus queridos americanos, mesmo que vocês não entendam